Alcat e Enxaqueca


Segundo o Grupo de Estudo de Cefaléias da Sociedade Espanhola de Neurologia, "A enxaqueca é uma doença de caráter genético que consiste em ataques recorrentes de cefaléia de intensidade, freqüência e duração muito variáveis, comumente de localização unilateral alternante e que costuma ser associada a náuseas e vômitos. Existem distintos tipos de tratamento para a enxaqueca, mas em muitos dos pacientes, dos quais 70% são mulheres, não se alcançam os efeitos desejados.


As causas da enxaqueca são de origem muito diversa, desde predisposição genética e anatômica, a desajustes hormonais ou emocionais.

Foi comprovado também, que em muitos pacientes a alimentação supõe um fator-chave. Alimentos como o chocolate, frutas secas e o álcool, foram tradicionalmente associados às crises.

O processo físico causador da enxaqueca não foi completamente descrito até o momento. O pensamento atual sugere que a aura, o conjunto de manifestações que precedem a crise de enxaqueca, é devido à constrição dos vasos sanguíneos cerebrais e tecidos adjacentes, reduzindo assim a irrigação destas áreas. Em seguida à fase de constrição, os vasos se dilatam mais que o esperado. A dor de cabeça da enxaqueca se associa ao inchamento dos vasos sanguíneos que circundam o cérebro.

Outra vertente desta patologia se deve à inflamação causada pela agregação das plaquetas. Durante a crise, as plaquetas se juntam e liberam grandes quantidades de serotonina (não necessária nestas condições), que produz vasoconstrição e reduz, portanto, a irrigação sanguínea cerebral. O organismo dispõe de mecanismo que se opõem ao efeito da serotonina, como os eicosanóides PGE-1 e PGE-2, potentes vasodilatadores, mas que podem causar um brusco giro na direção oposta.

A produção destes eicosanóides, em resposta à inflamação, bem como a agregação das plaquetas associada à intolerância alimentar, pode explicar, pelo menos em parte, a dor de cabeça das crises de enxaqueca.

Os vasos cerebrais se dilatam em excesso, originando a dor da segunda fase do ataque e a elevada pressão em certos pontos do
cérebro pode produzir a náusea. A alimentação pode ser um fator-chave no tratamento da enxaqueca para complementar os tratamentos farmacológicos.

O Teste ALCAT mede a intolerância alimentar, avaliando a mudança em tamanho e número das células do sangue, bem como a agregação plaquetária pós-incubação com extratos alimentares e de aditivos e corantes, reproduzindo no laboratório as condições que se dão in vivo.

Muitos pacientes com enxaqueca que eliminam de sua dieta os alimentos aos quais são intolerantes sofrem de crises de menor intensidade e mais espaçadas melhorando de maneira considerável sua qualidade de vida.

Este tipo de tratamento, que incide unicamente na alimentação, é simples e não invasivo, de maneira que poderia ser incluído no chamado tratamento não farmacológico contra a enxaqueca, complementando o farmacológico.



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